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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Desemprego: 2016 inicia com previsão de mais demissões em diversos setores


De acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) divulgada no último dia 28/01 pelo IBGE, o Brasil fechou 2015 com uma taxa de desemprego de 6,8%, resultado 2,5 pontos percentuais maior que o observado em dezembro de 2014 (4,3%). Não bastasse a constatação de que a recessão comprimiu fortemente o mercado de trabalho no ano passado, alguns setores já anunciaram que esperam mais demissões para 2016, confirmando a percepção de que ainda há espaço para piorar o cenário econômico antes de iniciarmos uma recuperação.

Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), após uma retração de 14,4% no faturamento de 2015 e a demissão de 8,1% do pessoal empregado nas empresas do setor, estas deverão continuar com os cortes na folha de pagamentos para conseguir equalizar os custos diante do cenário projetado para 2016. O número estimado pela Associação é de 20 mil postos de trabalho a serem fechados ao longo de todo o ano.

Algo similar foi informado pela Sinditêxtil SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), diante da previsão de 15% de queda na produção em 2015. Projeta-se a demissão de mais 12 mil vagas em 2016 no setor, somando às cerca de 30 mil que foram efetuadas em 2015, de acordo com o sindicato. 

Situação ainda pior foi anunciada por representantes do setor de Turismo e Hotelaria, após o anúncio oficial de que foi revogada a isenção da cobrança de imposto de renda sobre as remessas ao exterior para pagamento de prestação de serviços relacionados a viagens de turismo, negócios, serviços, treinamentos ou missões oficiais – despesas com hotel, transporte, cruzeiros marítimos e pacotes de viagens, por exemplo. A partir de 1º de janeiro deste ano, passa a vigorar a alíquota de 25% sobre o valor da remessa, o que deve ocasionar a perda de até R$ 20 bilhões para a economia e o fechamento de mais de 185 mil empregos diretos.

Contabilizando todos os anúncios, espera-se a eliminação de 217 mil postos de trabalho em 2016 somente nestes três setores. Outras representações setoriais, como a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), apontam taxa de desemprego de 10,2% para 2016, concluindo que o ano será de aprofundamento da recessão econômica.

Analista responsável: Robson Poleto


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Comentário Mercado de Trabalho: Taxa de Desocupação cresce em outubro



Após dois meses de estabilidade na taxa de desocupação em 7,6%, no mês de outubro a taxa apresentou uma aceleração e atingiu 7,9%. O resultado reforça o cenário de deterioração do mercado de trabalho brasileiro diante da desaceleração econômica.

Em relação ao mesmo mês de 2014, a taxa apresentou uma elevação de 3,2 pontos percentuais, quando esta registrou 4,7%. No entanto, desde o início de 2015, o mercado de trabalho começou a refletir com mais nitidez a queda na atividade econômica, e a tendência crescente de elevação da taxa de desocupação do País.

Em relação ao rendimento médio real habitual dos trabalhadores, os resultados são ainda piores, em outubro o mesmo atingiu R$ 2.182,10, uma queda  de 7,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Tendo em vista que a renda disponível é o que impulsiona o consumo, a desaceleração desta aponta para um enfraquecimento do ritmo nas compras dos agentes econômicos.

Analista Responsável: Laís Soares


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Macroeconomia: Brasil poderá apresentar um déficit fiscal equivalente a 2,0% do PIB em 2015



Um projeto de lei, de autoria do deputado Hugo Leal (PROS-RJ), prevê a alteração  da Lei Orçamentária  Anual (LOA) de 2015, onde a meta fiscal poderia ser flexibilizada de forma a incluir a possibilidade de um déficit maior para este ano. Segundo o projeto, deve-se incluir na LOA eventuais despesas extras e perdas de arrecadação da ordem de R$ 66,05 bilhões (R$ 11,05 bilhões em receitas a ainda serem auferidas de futuras concessões e permissões relativas a leilões das usinas hidrelétricas, além do pagamento integral, ainda em 2015, de até R$ 55 bilhões, referentes a passivos e valores devidos a bancos públicos de repasses pendentes por parte do governo).

Assim, se confirmado, tal déficit adicional se agregaria ao resultado já esperado para o ano contábil de 2015 (déficit de R$ 51,8 bilhões já contido no projeto original da LOA), resultando em um déficit total de R$ 117,58 bilhões, o que representa cerca de 2,0% do PIB projetado para 2015.

Vale salientar que tal valor pode não se confirmar em sua totalidade, uma vez que há uma grande possibilidade de sucesso dos leilões das usinas hidrelétricas, além da possibilidade de acordo entre o TCU e o Governo em parcelar os débitos com os bancos públicos. 

Entretanto, estas duas últimas ações (o anúncio da LOA e sua flexibilização) levam o País ao iminente risco de perder seu grau de investimento por parte das agências precificadoras de rating (especificamente as agências Fitch e Moddy’s, já que a Standard and Poor’s já havia rebaixado o Brasil ao nível especulativo), além de distorcer a orientação de contenção dos gastos adotada pelo Governo, colocando em xeque o plano de ajuste fiscal considerado condição de suma importância para o reequilibramento das variáveis macoreconômicas e para a volta do crescimento sustentável nos próximos anos. 

Analista Responsável: Felipe Souza.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Macroeconomia: Rebaixamento da nota de crédito pela Standard & Poor’s


A Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BBB- para BB+, um nível especulativo. A agência de classificação de riscos atribuiu a queda do rating ao cenário político, que afeta diretamente as questões econômicas, com destaque para as finanças públicas.

É importante destacar que as perspectivas da Lafis já apontavam para o risco de perda de grau de investimento em alguma das mais importantes agências de classificação de risco, diante das dificuldades de condução da política econômica, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento de metas de superávit primário. No entanto, tal fato ocorreu anteriormente ao esperado pela Lafis e pelo mercado.

Diante do rebaixamento da nota de crédito, projeta-se algumas consequências de curto e médio prazos para variáveis macroenômicas, com destaque para uma desvalorização da taxa de câmbio. Além disto, à medida que se tornou mais arriscado, segundo a agência, investir em papéis no Brasil, poderá ocorrer uma possível retomada no aumento da taxa SELIC, a fim de aumentar a remuneração dos títulos públicos para compensar o aumento do risco e conter uma possível evasão de divisas.

Setorialmente, os segmentos dependentes de matérias primas importadas, como é o caso da agricultura em relação aos fertilizantes, e setores em que a demanda é influenciada pelo custo do crédito, como é o caso da construção civil e do setor automotivo, podem ser mais impactados negativamente.

Por fim, pode-se dizer, em alguma medida, que a forte desvalorização cambial observada ao longo do ano, bem como o aumento da taxa de juros, já demonstra uma maior cautela do investidor estrangeiro, impactando consequentemente o desempenho de alguns setores da economia. Neste sentido, deve-se atentar para o risco de maior volatilidade, desvalorização do Real, elevação da taxa SELIC, aumento da incerteza (tanto do consumidor, quanto dos investidores), bem como futuras mudanças no rating dado ao país pela própria S&P e também pela Fitch e Moody’s. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Macroeconomia: Senado aprova redução das desonerações dando fôlego ao esforço de contenção fiscal


Se o plano de ajuste fiscal arquitetado pelo Ministro da fazenda, Joaquim Levy, ainda não tinha recebido apoio do Congresso Nacional, o Governo pode comemorar sua primeira vitória. Foi aprovado pelo Senado o projeto de Lei que reduz as desonerações concedidas pelo governo a 56 setores da economia.

Criada em 2011 pelo governo, a renúncia fiscal tinha objetivo de desonerar a folha de pagamento das empresas (pois abria oportunidade para que as empresas substituissem a tributação obrigatória sobre a contribuição patronal de 20% sobre a folha de pagamentos para a Previdência, por alíquotas incidentes na receita bruta das empresas), de forma que estas poderiam empregar maior mão-de-obra à um custo fiscal menor, além de abrir caixa para que investimentos fossem estimulados, redinamizando a cadeia produtiva e a economia como um todo. Em 2014, a medida acumulou uma renúncia fiscal de cerca de R$ 22 bilhões.

Assim, a partir de 90 dias de publicação da lei (que ainda será encaminhada para aprovação presidencial) o projeto implicará em aumentos diferenciados para alguns setores, aumentando as alíquotas atuais de 1% e 2% para até 4,5% a depender do segmento.


Opositores da medida a criticam sob a alegação de o aumento na alíquota provocará uma onda de demissões, aumentando os efeitos da retração econômica atual. Por outro lado, os defensores da medida alegam que tal fez-se necessária, uma vez que nem todas as desonerações concedidas se transformaram em investimento para a manutenção de empregos. O fato concreto é que tal ação inevitavelmente terá efeitos positivos no balanço fiscal federal, contribuindo para o sucesso do plano de contenção fiscal, já que estima-se que a mudança poderá resultar em uma arrecadação de cerca de R$ 10 bilhões.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Macroeconomia: Resultados da Balança Comercial no Primeiro Trimestre de 2014

http://www.lafis.com.br/lafisinstitucional/relatorio-analise-setorial/Analise-Macroeconomica.asp


Segundo último resultados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) dia 01 de abril, o mês de março apresentou queda tanto das exportações quanto das importações no Brasil nas médias diárias, prejudicando o resultado da balança comercial no primeiro trimestre de 2014. As primeiras apresentaram uma queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2013, devido ao menor embarque de manufaturados (-15,3%) e semimanufaturados (19,6%, na mesma base comparativa). As importações, por sua vez, registram queda de 3,8% em relação a março de 2013, devido à uma retração de 24,5% nas importações de combustíveis e lubrificantes (em função da queda dos preços e das quantidades importadas de petróleo, óleos combustíveis, gás natural, carvão e gasolina)  e de bens de capital (-2,8%).

Com uma queda mais pujante das exportações nos três primeiros meses do ano, o déficit da balança comercial foi ampliado no primeiro trimestre do ano, ficando negativo em US$ 6,07 bilhões, com importações somando US$ 55,6 bilhões e exportações em US$ 49,5 bilhões. Os principais agravantes para o resultado comercial neste início de ano foram, pelo lado das exportações, foram a queda de preços de commodities e a retração no embarque de manufaturados.

O andamento de duas das maiores economias do mundo influenciaram os resultados dos preços das commodities, devido à gradual retirada de estímulos do Banco Central dos Estados Unidos à economia americana e à desaceleração mais forte do que a prevista do ritmo de atividade econômica da China somado a um alto estoque neste país, principalmente de commodities minerais. Com este cenário, é possível afirmar que a recuperação dos preços de diversas commodities não é esperada para o ano de 2014, dificultando vislumbrar resultados muito positivos para a balança comercial brasileira. Para um resultado superavitário no ano, seria necessário um grande "colchão" de resultados positivos no segundo e terceiros trimestres do ano, o que parece um pouco difícil neste curto prazo. Assim, o que se espera como resultado da balança comercial para o ano de 2014 é de uma estabilidade na comparação com 2013 com viés de baixa, caminhando para um possível déficit comercial.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Macroeconomia: Queda nos juros não surpreende, já a ata do Copom...


A decisão pelo corte em 0,75 p.p do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) anunciada no dia 18 de abril em nada surpreendeu o mercado, que já esperava por tal redução. No entanto, o parágrafo 35 da ata da reunião, divulgada no último dia 26, causou certa surpresa entre os analistas econômicos.

A razão para certa surpresa decorre principalmente da dificuldade do Banco Central em alinhar às expectativas dos agentes com as perspectivas da condução da política monetária. Na ata da reunião de março, o Copom havia sinalizado, de maneira mais explícita, que a taxa de juros tenderia a se estabilizar em patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos (8,75% a.a).

Contudo, o parágrafo mencionado da ata de abril, de certa forma, não deixou claro os próximos passos a serem seguidos. Segundo este, "[...] mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia."

As dúvidas com relação à condução da política monetária permanecem, em virtude da ata de março ter sido explícita em como seria a trajetória de juros permitindo maior alinhamento das expectativas do mercado e o item 35 da ata de abril ter sido pouco claro se o afrouxamento monetário vai prosseguir e em qual magnitude, o que tem desalinhado as expectativas.

A preocupação do Banco Central com a lenta retomada da atividade econômica, uma vez que a pressão inflacionária parece ter se esvaído (tanto o BC como o Ministério da Fazenda acreditam na convergência do IPCA ao centro da meta já em 2012) parece ser cada vez mais evidente. Vale a pena ressaltar que mesmo a autoridade monetária acreditando que a economia vai se aquecer no segundo semestre, o otimismo quanto ao crescimento é menor que o observado no Ministério da Fazenda já que este acredita em expansão econômica de 4,5%, enquanto o cenário base do BC fala em crescimento de 3,5%.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Macroeconomia: Governo anuncia desoneração na folha de pagamento da indústria


O Governo anunciou nesta sexta-feira a desoneração da folha de pagamento do setor industrial como forma de auxílio à indústria nacional. O valor da taxa que será desonerada ainda não foi anunciado, mas segundo o Ministro da Fazenda Guido Mantega esta política de governo deverá durar cerca de um ano.

O PIB da indústria em 2011 apresentou desaceleração em mais de 8 pontos percentuais, encerrando o ano com crescimento de 1,6%, estimulado principalmente pela indústria de mineração e construção civil. Por outro lado, a indústria da transformação encerrou o ano com estabilidade (0,1%), observando-se queda de 0,5% no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre de 2011. Em Janeiro, na pesquisa mensal da indústria realizada pelo IBGE, a queda foi de 3,4% entre janeiro de 2012, em relação a janeiro de 2011.

A indústria, em especial a de transformação, encontra-se em uma situação delicada. Já recebeu alguns incentivos governamentais, como isenção de IPI para linha branca e aumento do IPI para veículos importados. Mesmo assim, o setor continua em queda, com a produção de automóveis caindo cerca de 26,7% (jan 2012/jan 2011) e a de vestuário apresentando queda 19,4% para o mesmo período de comparação.

Macroeconomia: Desaceleração doméstica contribui para uma maior redução da Selic


A guinada na condução da política monetária em agosto de 2011, quando decidiu-se pelo corte de 0,50 p.p. na taxa Selic e as posteriores reduções, na mesma intensidade até a reunião de março de 2011, encontravam justificativas principalmente na deterioração do cenário internacional. Contudo, a redução de 0,75 p.p. na última reunião parece encontrar explicação fundamentalmente na desaceleração da economia doméstica.

A despeito de uma razoável melhora no cenário internacional com os Estados Unidos sinalizando alguma recuperação e a Zona do Euro reduzindo a possibilidade de uma falência no sistema financeiro, o desaquecimento da economia interna pode ser evidenciado por três indicadores recém divulgados: produção industrial de janeiro, PIB de 2011 e o IPCA de fevereiro.

O fraco crescimento do PIB em 2011 (2,7%) foi influenciado, principalmente pelo baixo desempenho do setor industrial no ano (+1,6%/10), não obstante a agropecuária tenha contribuído para que não ocorresse uma queda maior (+3,9%/10). A indústria iniciou 2012 ainda com desempenho decepcionante uma vez que a produção industrial retraiu-se 2,1% ante dezembro de 2011; na comparação com janeiro de 2011, a queda foi de 3,4%. Estes dois fatores podem ter tido alta influência na decisão do Copom.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também mostrou desaceleração tanto em relação a janeiro de 2012 como comparativamente a fevereiro de 2011. O índice encerrou o mês com elevação de 0,45% e acumula em 2012 expansão de 1,02% (abaixo dos 1,62% acumulados em igual período de 2011). Os indícios de uma possível desaceleração nos preços convergindo, mesmo que lentamente, para o centro da meta, permite, ao menos no curto prazo, que o Banco Central adote uma política monetária mais frouxa, de estímulo à economia.

As medidas de estímulos à economia, via alterações nas taxas de juros, tendem a ter um efeito defasado sobre a economia real. Estes efeitos tendem a serem percebidos no segundo semestre de 2012 e isso poderá refletir em pressões inflacionárias tanto para o final do ano como para 2013. Caso esta tendência se confirme, a autoridade monetária deverá ficar alerta para a retomada mais intensa de pressões inflacionárias que podem fazer com que o ciclo de baixa iniciado em 2011 passe a ser revertido já em meados de 2013.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Macroeconomia: Política monetária restritiva no início de 2011 freiam a economia no 3º trimestre.


Os indícios de desaceleração da economia brasileira, conforme já haviam sido anunciados pelos dados do IBC-Br do Banco Central em setembro, se confirmaram com o resultado do PIB do terceiro trimestre divulgado pelo IBGE. O desaquecimento, no entanto, ocorre mais em função das medidas tomadas pelo governo e menos em razão da crise econômica global.

As medidas adotadas pelo governo brasileiro no início de 2011 (elevação da taxa de juros e medidas macroprudenciais) que foram implantadas para desacelerar a economia e com isso trazer a inflação para o centro da meta, por possuírem defasagem de efeito, começaram a afetar a economia real somente na segunda metade de 2011. Este talvez seja o maior motivo para o resultado do terceiro trimestre.

É certo que a crise econômica mundial tem seus impactos no resultado da economia brasileira, no entanto, eles não constituem a força motriz do desaquecimento interno. Isto pode ficar mais claro com os resultados positivos que o setor externo demonstrou no período - com as exportações crescendo 1,8% e as importações recuando 0,4%. Ou seja, graças ao mercado internacional, a economia não apresentou retração.

A economia brasileira caminha para um crescimento por volta de 3,3% em 2011 - resultado este que não deve ser lamentado dado o cenário econômico tanto interno quanto externo. A atuação do Banco Central, principalmente no segundo semestre, quando iniciou o ciclo de afrouxamento monetário, deve ter impactos importantes na economia real somente em meados de 2012. Deste modo, um mercado doméstico ainda em expansão e com aumentos reais de salários a partir de janeiro pode ser, novamente, a razão principal para uma expansão maior no próximo ano.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Macroeconomia: Incertezas na economia mundial alteram a política monetária brasileira


A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ficou marcada pela mudança radical nos rumos da política monetária brasileira que vinha sendo conduzida na gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central. O corte inesperado de 0,5% da taxa básica de juros, saindo de 12,5% e chegando a 12% ao ano, pode ser entendido como uma antecipação, por parte da autoridade monetária, a uma possível deterioração da economia mundial.

As turbulências nas economias desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos e na Zona do Euro, tornaram-se a principal preocupação do Banco Central do Brasil como pode ser observado na Ata da última reunião. A decisão, contudo, não foi unânime (5 votos a favor da redução de 0,5% e dois votos a favor da manutenção) o que demonstra o nível de incerteza que ronda tanto a economia interna (principalmente o cenário prospectivo para a inflação) quanto as questões externas (possível duplo mergulho das economias desenvolvidas).

O cenário doméstico ainda inspira desconfianças principalmente no controle da inflação - o IPCA atingiu em setembro 7,23% no acumulado de 12 meses. No entanto, na visão do BC, o cenário externo em conjunto com o aperto fiscal promovido pelo Ministério da Fazenda, podem promover uma desaceleração dos preços na economia doméstica. Além disso, o corte nos juros, pode reativar a economia que apresentou crescimento módico no segundo trimestre (0,8% na comparação com o primeiro trimestre e 3,6% no primeiro semestre ante mesmo período de 2010).

Os ajustes fiscais e agora o relaxamento da política monetária são indicadores das autoridades econômicas que o Brasil está se fortalecendo diante de um recrudescimento da economia mundial. O ajuste fiscal mais do que uma forma de prevenção frente a crise é uma necessidade que o Estado brasileiro precisa se engajar de maneira definitiva e a redução dos juros seria excelente para a economia voltar a trilhar o caminho do crescimento sustentável; contudo, caso a crise internacional não se intensifique, o maior derrotado pode ser o Banco Central.