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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Têxtil e Confecções/Calçados: Fim da desoneração da folha põe fim as perspectivas de retomada da produção da indústria têxtil e calçadista no País em 2017



No primeiro bimestre, ancorados pelas perspectivas e confiança de uma melhora da demanda interna, os setores têxtil e calçadista, que haviam perdido um número significativo de empregados nos últimos dois anos registraram um saldo positivo de contratações.

Todavia, na última semana de março tais setores foram surpreendidos pelo anúncio do Governo da Medida Provisória 774 (publicada dia 30 de março), que põe fim à desoneração da folha de pagamento das empresas dos setores calçadistas e de confecções, que vinham sendo beneficiados pela substituição da cobrança do INSS empresarial de 20% sobre o total dos salários pagos por uma alíquota situada entre 1,5% e 2,5%, sobre o faturamento da empresa a depender da atividade específica desta.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), até então, a desoneração vinha garantindo certo alívio para o setor calçadista, já que o setor é intensivo em mão de obra, e contribuiu para a redução dos custos de produção. Neste sentido, a reversão neste momento deverá encarecer o calçado nacional para o consumidor final. De acordo com a entidade, o segmento setor não aproveitou o benefício fiscal para aumentar a margem de lucro, mas sim para reduzir preços e ganhar competitividade no mercado nacional.

No cenário atual, tendo em vista a elevação do desemprego no País e queda no rendimento das famílias, uma elevação dos preços tende a reprimir ainda mais o consumo das famílias. Além disso, o setor calçadista e de confecções poderá apresentar maiores dificuldades para sair da crise, haja vista a concorrência que tais segmentos enfrentam com os produtos chineses importados que apresentam menores custos e preços mais reduzidos.

A nova regulamentação da cobrança de contribuição previdenciária das empresas foi publicada por meio de MP (medida provisória), e entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação. 

Especialista do Setor Têxtil e Calçadista: Laís Soares


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Calçados, Têxteis e Vestuário: Valorização do Real preocupa empresas exportadoras



O Real desvalorizado tem sido uma “tábua de salvação” para as indústrias em 2016. O câmbio favorável às exportações é uma vantagem para as empresas que estão com dificuldades de manter as vendas no mercado interno, mas possuem estrutura para exportar sua produção – que se encontra mais competitiva no mercado internacional. Entretanto, a recente valorização da moeda brasileira já começa a acender às luzes de alerta em alguns setores, sinalizando que talvez o bote salva-vidas das exportações também possa estar furado.

Empresas dos setores calçadista e têxtil – como a Vulcabrás/Azaleia e Cedro Têxtil – já informam que fizeram seus planejamentos com base em uma taxa de câmbio mais próxima a R$ 4, seguindo a tendência do fechamento de 2015. A Fakini Malhas, por exemplo, informou que vendas efetuadas a um câmbio inferior a R$ 3,50 significam uma perda de rentabilidade para a empresa, segundo Francis Giorgio Fachini, diretor comercial da empresa.

O cenário cambial vem sendo tratado de perto pelo novo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Em discurso durante o Fórum Agrobusiness Global, que ocorreu em São Paulo na primeira semana de julho, o ministro ressaltou a importância de reduzir a tributação das exportações como forma de reduzir o chamado “custo Brasil”, além de fechar novos acordos comerciais com os grandes players mundiais, como a China. Além disso, mercados promissores na atualidade, como a região da África Subsaariana e o Irã despontam como potenciais clientes dos produtos brasileiros, mas que ainda são pouco explorados.

Tais medidas são favoráveis aos setores produtivos, mas devem ser tratados com parcimônia, pois podem agir na contramão do esperado, dado que alguns desses mercados, como o chinês, são os principais competidores dos produtos brasileiros no mercado externo.


Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Calçados e Têxteis: Desvalorização cambial favorece os setores têxteis e de calçados


A crise política e econômica no Brasil, bem como a instabilidade no cenário internacional, tem pressionado, a taxa de câmbio da moeda brasileira em relação ao dólar, que já acumulou uma desvalorização de 48% até setembro deste ano. Diante disto, vários setores sofreram com o encarecimento dos produtos importados. Contudo, alguns outros tem se beneficiado do barateamento dos produtos brasileiros no mercado internacional, via exportações. Foi o que ocorreu com as indústrias de têxteis e confecções e de calçados.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as exportações, apesar de ainda estarem caindo quando comparadas ao mesmo período de 2014, tem desacelerado o ritmo de queda, podendo reverter o movimento já no inicio de 2016. Nos segmentos de produtos menos elaborados, como fios, as exportações já estão crescendo em relação ao ano anterior.  Além disso, a retração nas importações abriu espaço para a expansão das indústrias nacionais no mercado interno. Em setembro deste ano, as importações de produtos têxteis e vestuário reduziu, em toneladas, mais de 29% em relação ao mesmo mês de 2014. 

Para o setor calçadista, a realidade é inda melhor quanto às exportações. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em setembro as vendas de calçados brasileiros no exterior cresceram 18,5% em relação ao mês anterior, e a expectativa para dezembro deste ano é promissora. Quanto às importações, as perspectivas não são tão animadoras, mesmo com uma redução de 8,4% no valor total importado em relação a setembro de 2014. A Abicalçados comenta que a crise nacional é tão profunda que talvez o mercado interno não substitua o produto importado pelo nacional, e sim simplesmente deixe de comprar. 

Em geral, estes setores estão aproveitando os movimentos favoráveis no câmbio. Tendo em vista as previsões pouco otimistas para a inflação e para a recuperação da demanda nos próximos anos, as empresas devem atentar para as oportunidades no mercado externo como forma de compensar a crise no mercado nacional.

Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Calçados: Exportações de calçados sobem no mês de março


Assim como em fevereiro, o mês de março registrou aumento das exportações brasileiras de calçados. No mês foram embarcados 10,8 milhões de pares, gerando uma receita de US$ 91,14 milhões, o que representa um aumento de 16,6% em relação ao mês de fevereiro de 2015 e 15,1% em relação ao mês de março do ano anterior. Entretanto, a recuperação ainda não ocorreu completamente, uma vez que no acumulado do trimestre, o resultado ficou 12% inferior ao primeiro trimestre do ano anterior, quando foi gerada uma receita de US$ 274,6 milhões, contra US$ 241,56 milhões somados em 2015.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ressalta que tal resultado ainda não é consequência da valorização do Dólar frente ao Real, pois apesar de ser a maior alta da moeda americana registrada nos últimos dez anos, tal efeito ainda não pode ser sentido, tal implicação passará a ter mais influência a partir de maio ou junho. Segundo o presidente da associação, o aumento das exportações nos dois primeiros meses do ano é a soma de ações das empresas do setor em buscar mercados qualificados além-fronteiras, ou seja, novos mercados que os calçados brasileiros ainda possuem pouca participação, além da recuperação da economia mundial.

O principal destino das exportações brasileiras de calçados são os Estados Unidos, seguidos pela França e a Argentina. Sobre o país vizinho, houve, em partes, uma recuperação das exportações e o resultado é decorrente da recente decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC), que obriga a Argentina a eliminar as barreiras ilegais às importações, o que acaba tendo reflexo positivo para as exportações brasileiras.

Dado tal conjuntura, as perspectivas do setor de calçados tornam-se menos pessimistas, uma vez que provavelmente o setor tende a recuperar ainda mais os produtos embarcados para o exterior. Além disso, tal movimento tende a se manter nos próximos anos, dadas as projeções da moeda americana ainda valorizada para os próximos anos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Calçados: Aspectos mais relevantes do setor calçadista brasileiro em 2014



O ano de 2014 foi marcado por dificuldades para o setor de calçados no País. A realização da Copa do Mundo de Futebol, a importação de calçados asiáticos, a deterioração do mercado exportador argentino e as incertezas da economia brasileira contribuíram para um cenário adverso.

O evento esportivo realizado nos meses de junho e julho acabou prejudicando tanto o varejo quanto a indústria de calçados, pois atuou como concorrente do setor, já que o consumidor substituiu o gasto com calçados por gastos com outros produtos, por exemplo entretenimento.

Outro fator preponderante para o mau desempenho do segmento foi a concorrência com os produtos asiáticos. Mesmo com uma taxação de US$ 13,85 por par importado da China, os produtos chineses continuam a invadir o mercado nacional, por apresentarem preços mais competitivos. O que agrava ainda mais a situação é a validade da medida, que acaba em março de 2015 caso não seja renovada. Sem a sobretaxa existente, os produtos chineses se tornarão mais baratos, prejudicando o setor.

As dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina cooperaram para diminuir as exportações brasileiras para o país, forçando as empresas calçadistas brasileiras a buscar novos mercados, para compensar a perda de mercado do país vizinho. Entretanto, perspectivas de um Dólar mais valorizado frente ao Real, em 2015, poderão reverter, em partes, a situação do comércio internacional do setor para esse ano, tornando as exportações brasileiras mais competitivas e as importações mais caras.

Do mesmo modo, as incertezas do cenário econômico brasileiro influenciaram as intenções de compra dos consumidores, pois em um contexto de maior pressão inflacionária e perda de confiança, estes tendem a rever seu orçamento e cortar gastos considerados supérfluos. 



Diante desses fatos, para 2014 espera-se que a produção de calçados no País feche o ano com estabilidade, ficando para 2015 uma possível recuperação do setor. 


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Calçados: Cresce venda de calçados para países do Oriente Médio

http://www.lafis.com.br/lafisinstitucional/relatorio-analise-setorial/Calcados.asp




As exportações de calçados da cidade de Franca, importante pólo calçadista do Estado de São Paulo, cresceram 147%, em números de pares, para o Oriente Médio no primeiro trimestre de 2014, comparado ao mesmo período de 2013. Entre os principais importadores estão Arábia Saudita, Qatar, Kuaite, Israel e Emirados Árabes Unidos. O grupo de países já representa 27% das exportações do pólo, em que foram comercializados 221 mil pares nos três primeiros meses desse ano. 

A perda de mercado nos Estados Unidos e a qualidade do produto brasileiro justificam o avanço. A concorrência chinesa fez os produtos brasileiros perderem espaço no mercado americano. As vendas para esse país correspondiam a 42% das exportações da região no primeiro trimestre de 2013, enquanto neste ano a participação caiu para 29%, forçando os empresários brasileiros a buscar novos parceiros comerciais.  O produto nacional tem sido bem aceito por esses países por sua boa qualidade e por apresentar preços mais acessíveis que os de origem italiana. 

Este resultado mostra o esforço das indústrias do setor na procura de novos parceiros comerciais, com o objetivo de evitar maiores perdas nos indicadores das exportações, que segundo José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindicato da Indústria de calçados de Franca (Sindifranca), vêm caindo desde 1990, quando somavam 50% da produção do pólo.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Calçadista anuncia investimentos em Limoeiro, Agreste Pernambucano.



A fábrica de calçados Terra & Água está investindo R$ 25 milhões em Limoeiro, no Agreste Pernambucano, para que a nova unidade comece a operar a partir de abril deste ano. Instalada no ano passado em um terreno provisório da cidade, a fábrica espera a negociação por parte da AD Diper (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) da desapropriação de uma área de 15 hectares na cidade.

A empresa, que existe desde 2000 e exporta seus produtos para mais de 40 países, tem como proposta inicial a produção de 300 mil pares por mês, entre femininos, sandálias e chinelos e espera gerar cerca de 500 empregos na região. Para se instalar no Estado, a Terra & Água conseguiu um benefício do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Calçados, Bolsas, Cintos e Bolas Esportivas (Procalçados), que garantiu à empresa um desconto de 95% no saldo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A chegada desta indústria na região é muito importante, já que o Estado passa a desenhar um forte eixo de desenvolvimento, aproveitando a vocação da região para o setor calçadista, que passa por Limoeiro, Carpina e vai até o município de Timbaúba, importante Polo calçadista dos anos 1970.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Indústria Calçadista: Alpargatas anuncia fábrica no Norte de Minas


A Alpargatas, dona das marcas Mizuno, Topper e Havaianas, entre outras, anunciou a construção de uma fábrica em Montes Claros (MG). Espera-se que a unidade entre em operação no segundo semestre de 2012, com capacidade de produção de 105 milhões de pares por ano, o que representa um incremento de 30% no atual nível de produção da empresa. O investimento, de R$ 177 milhões, poderá gerar 2,2 mil empregos diretos e mais de 3 mil indiretos na esteira de um processo de expansão da empresa, que contempla a expansão do seu faturamento de R$ 2,6 bilhões em 2010 para R$ 5,5 bilhões em 2014.

A cidade de Montes Claros foi escolhida por aspectos como a disponibilidade de mão de obra, condições de infraestrutura e maior proximidade com os mercados consumidor e fornecedor, quando comparadas com plantas localizadas no Nordeste. Além disso, o governo mineiro ofereceu benefícios fiscais para a instalação da fábrica no estado, o que contribuiu para a deliberação da empresa.

A decisão por abrir a nova fábrica no Brasil é considerada estratégica para a preservação da personalidade das marcas da companhia, especialmente no mercado externo. Embora o Real se encontre consideravelmente apreciado em relação ao Dólar, reduzindo a competitividade do produto nacional no mercado externo e prejudicando as receitas dos exportadores, a empresa considera que, por outro lado, os preços de importação de insumos são barateados. No que diz respeito à forte concorrência com os importados no segmento, o presidente da empresa ressalta que as medidas antidumping adotadas contra a China (e contornadas por meio da triangulação de mercadorias) apenas adiariam um processo de adaptação da indústria nacional a novos padrões concorrências.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Calçados: Vulcabrás compra fábrica na Índia

A maior fabricante de calçados do Brasil e dona das marcas Azaléia, Dijean, Olympikus e Reebook avança em seu processo de internacionalização através da aquisição de ativos industriais (prédios, máquinas e equipamentos) em Chennai, Índia; o valor da transação não foi divulgado. A empresa espera gerar 8 mil empregos diretos e indiretos no país asiático e planeja investimentos da ordem de US$ 50 milhões para o próximo biênio. Tal montante deverá ser alocado na produção de cabedais de calçados esportivos para complementar a produção das suas 28 unidades produtivas no Brasil e Argentina, conforme Fato Relevante divulgado pela empresa. Em 2 anos, a empresa espera fabricar 60% dos cabedais que utiliza na Índia, o que reduziria à metade o custo de produção.

Além do Brasil, a empresa já possui operações na Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e Peru e amplia a sua internacionalização na Índia com o objetivo explícito de obter ganhos em termos de competitividade. Aspecto crucial a ser considerado é que a atividade em questão é intensiva em mão de obra; entretanto, internamente, o mercado de trabalho nacional se encontra aquecido, com escassez de mão de obra especializada em diversos setores, o que exerce pressões sobre os salários. Por outro lado, os custos relativos à mão de obra na Índia são considerados muito competitivos, o que justifica a transferência da parte mais intensiva em mão de obra da cadeia produtiva de tênis para o país.

A maior concorrência no mercado interno com produtos importados, mais acentuadamente da China, estimula ainda mais essa busca por melhores condições de competitividade. A fabricação do próprio insumo (cabedais), que indica uma maior integração da cadeia produtiva, aponta para esse sentido. Além disso, uma atuação mais intensa na Índia poderá permitir maior acesso ao mercado local, cujo mercado consumidor possui potencial de crescimento bastante atrativo. Outros aspectos, alguns estruturais, como alta carga tributária, e outros mais conjunturais, como a taxa de câmbio apreciada, afetam negativamente a competitividade da indústria nacional, tanto em âmbito interno quanto no internacional, estimulando uma maior transferência das empresas nacionais para outros países.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Calçados: Calçados importados ficam mais caros.

Foi publicada no Diário Oficial do dia 9 de setembro a resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que determina a sobretaxação dos calçados importados da China. A medida, com duração de seis meses, impõe uma alíquota no valor de US$ 12,47 ao par de calçado importado, o que fará com que o preço médio da mercadoria suba em média 178%.

O relatório técnico, que possui 35 mil páginas, descrevendo a prática de dumping pelos produtores chineses será submetido à aprovação definitiva no mês de dezembro, com a possibilidade de adoção permanente de uma alíquota de US$ 18,44 por par. Isso representa um alento para a produção nacional, que vem sendo pressionada ano à ano pelo forte ingresso dos produtos chineses, responsáveis por, aproximadamente, 70% da importações brasileiras de calçados. A produção nacional de calçados passou de 916 milhões de pares em 2004 para 804 milhões em 2008 ao passo em que as importações saíram de 9 milhões de pares para 39 milhões no mesmo período, o que dá a dimensão da velocidade com que os produtos de fabricação nacional vem perdendo espaço. A medida se estende até para os calçados esportivos de alta performance – que sofrem a maior taxação, 35% do valor – causando forte descontentamento dos grandes fabricantes, que subcontratam a produção alegando indisponibilidade de tecnologia no parque industrial nacional.

Apesar de benéfica para a indústria nacional, a medida resultará em aumentos de preço no varejo, o que pode trazer impacto negativo no volume vendido, piorando ainda mais o segmento de tecidos vestuários e calçados que já amarga um queda de 7% no primeiro semestre de 2009, em comparação com o primeiro semestre de 2008.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Calçados: Indústria de calçados dividida

A decisão da Camex (Câmara de Comércio Exterior) que será divulgada na última semana do mês de agosto, sobre medidas antidumping que podem comprometer a importação de tênis de alta tecnologia, vem causando polêmica desde sua solicitação em outubro de 2008. O pedido, proveniente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), defende a aplicação de uma sobretaxa inicial de US$ 25,99 sobre calçados esportivos de alta performance vindos da China – esse modelo, segundo informações divulgadas pela imprensa, é o que carrega a maior alíquota de importação, 35% sobre seu valor.
Embora a medida não seja contestada de maneira plena, a Abramesp (Associação Brasileira de Mercado Esportivo), repudia a forma como foi conduzido o estudo no qual a solicitação de antidumping está apoiada. Tanto a divulgação do nome das empresas que compõem a amostra do estudo como o fato de que o mercado utilizado como parâmetro ser o italiano (que não fabrica calçados esportivos), estão entre as críticas. A sugestão é de que o antidumping seja feito de maneira segmentada, excluindo os tênis de alta performance que, segundo a associação, não são produzidos no Brasil por falta de tecnologia ou escala eficiente.
Uma vez implementado o antidumping, 40% da produção dos associados da Abramesp (que inclui marcas como Nike, Adidas, Puma e Aesics) seria afetada seriamente, prejudicando sua participação no mercado, já que o preço médio do produto aumentaria. De outro lado, a Abicalçados afirma que a indústria nacional possui, sim, tecnologia suficiente para a produção dos calçados, já que os calçadistas nacionais integram todos os elos da cadeia produtiva.