A crise política e econômica no Brasil, bem como a instabilidade no cenário internacional, tem pressionado, a taxa de câmbio da moeda brasileira em relação ao dólar, que já acumulou uma desvalorização de 48% até setembro deste ano. Diante disto, vários setores sofreram com o encarecimento dos produtos importados. Contudo, alguns outros tem se beneficiado do barateamento dos produtos brasileiros no mercado internacional, via exportações. Foi o que ocorreu com as indústrias de têxteis e confecções e de calçados.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as exportações, apesar de ainda estarem caindo quando comparadas ao mesmo período de 2014, tem desacelerado o ritmo de queda, podendo reverter o movimento já no inicio de 2016. Nos segmentos de produtos menos elaborados, como fios, as exportações já estão crescendo em relação ao ano anterior. Além disso, a retração nas importações abriu espaço para a expansão das indústrias nacionais no mercado interno. Em setembro deste ano, as importações de produtos têxteis e vestuário reduziu, em toneladas, mais de 29% em relação ao mesmo mês de 2014.
Para o setor calçadista, a realidade é inda melhor quanto às exportações. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em setembro as vendas de calçados brasileiros no exterior cresceram 18,5% em relação ao mês anterior, e a expectativa para dezembro deste ano é promissora. Quanto às importações, as perspectivas não são tão animadoras, mesmo com uma redução de 8,4% no valor total importado em relação a setembro de 2014. A Abicalçados comenta que a crise nacional é tão profunda que talvez o mercado interno não substitua o produto importado pelo nacional, e sim simplesmente deixe de comprar.
Em geral, estes setores estão aproveitando os movimentos favoráveis no câmbio. Tendo em vista as previsões pouco otimistas para a inflação e para a recuperação da demanda nos próximos anos, as empresas devem atentar para as oportunidades no mercado externo como forma de compensar a crise no mercado nacional.
Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto
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