O Real desvalorizado tem sido uma “tábua de salvação” para as indústrias em 2016. O câmbio favorável às exportações é uma vantagem para as empresas que estão com dificuldades de manter as vendas no mercado interno, mas possuem estrutura para exportar sua produção – que se encontra mais competitiva no mercado internacional. Entretanto, a recente valorização da moeda brasileira já começa a acender às luzes de alerta em alguns setores, sinalizando que talvez o bote salva-vidas das exportações também possa estar furado.
Empresas dos setores calçadista e têxtil – como a Vulcabrás/Azaleia e Cedro Têxtil – já informam que fizeram seus planejamentos com base em uma taxa de câmbio mais próxima a R$ 4, seguindo a tendência do fechamento de 2015. A Fakini Malhas, por exemplo, informou que vendas efetuadas a um câmbio inferior a R$ 3,50 significam uma perda de rentabilidade para a empresa, segundo Francis Giorgio Fachini, diretor comercial da empresa.
O cenário cambial vem sendo tratado de perto pelo novo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Em discurso durante o Fórum Agrobusiness Global, que ocorreu em São Paulo na primeira semana de julho, o ministro ressaltou a importância de reduzir a tributação das exportações como forma de reduzir o chamado “custo Brasil”, além de fechar novos acordos comerciais com os grandes players mundiais, como a China. Além disso, mercados promissores na atualidade, como a região da África Subsaariana e o Irã despontam como potenciais clientes dos produtos brasileiros, mas que ainda são pouco explorados.
Tais medidas são favoráveis aos setores produtivos, mas devem ser tratados com parcimônia, pois podem agir na contramão do esperado, dado que alguns desses mercados, como o chinês, são os principais competidores dos produtos brasileiros no mercado externo.
Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto

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