segunda-feira, 12 de março de 2012

Macroeconomia: Desaceleração doméstica contribui para uma maior redução da Selic


A guinada na condução da política monetária em agosto de 2011, quando decidiu-se pelo corte de 0,50 p.p. na taxa Selic e as posteriores reduções, na mesma intensidade até a reunião de março de 2011, encontravam justificativas principalmente na deterioração do cenário internacional. Contudo, a redução de 0,75 p.p. na última reunião parece encontrar explicação fundamentalmente na desaceleração da economia doméstica.

A despeito de uma razoável melhora no cenário internacional com os Estados Unidos sinalizando alguma recuperação e a Zona do Euro reduzindo a possibilidade de uma falência no sistema financeiro, o desaquecimento da economia interna pode ser evidenciado por três indicadores recém divulgados: produção industrial de janeiro, PIB de 2011 e o IPCA de fevereiro.

O fraco crescimento do PIB em 2011 (2,7%) foi influenciado, principalmente pelo baixo desempenho do setor industrial no ano (+1,6%/10), não obstante a agropecuária tenha contribuído para que não ocorresse uma queda maior (+3,9%/10). A indústria iniciou 2012 ainda com desempenho decepcionante uma vez que a produção industrial retraiu-se 2,1% ante dezembro de 2011; na comparação com janeiro de 2011, a queda foi de 3,4%. Estes dois fatores podem ter tido alta influência na decisão do Copom.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também mostrou desaceleração tanto em relação a janeiro de 2012 como comparativamente a fevereiro de 2011. O índice encerrou o mês com elevação de 0,45% e acumula em 2012 expansão de 1,02% (abaixo dos 1,62% acumulados em igual período de 2011). Os indícios de uma possível desaceleração nos preços convergindo, mesmo que lentamente, para o centro da meta, permite, ao menos no curto prazo, que o Banco Central adote uma política monetária mais frouxa, de estímulo à economia.

As medidas de estímulos à economia, via alterações nas taxas de juros, tendem a ter um efeito defasado sobre a economia real. Estes efeitos tendem a serem percebidos no segundo semestre de 2012 e isso poderá refletir em pressões inflacionárias tanto para o final do ano como para 2013. Caso esta tendência se confirme, a autoridade monetária deverá ficar alerta para a retomada mais intensa de pressões inflacionárias que podem fazer com que o ciclo de baixa iniciado em 2011 passe a ser revertido já em meados de 2013.

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