terça-feira, 13 de setembro de 2011

Macroeconomia: Incertezas na economia mundial alteram a política monetária brasileira


A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ficou marcada pela mudança radical nos rumos da política monetária brasileira que vinha sendo conduzida na gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central. O corte inesperado de 0,5% da taxa básica de juros, saindo de 12,5% e chegando a 12% ao ano, pode ser entendido como uma antecipação, por parte da autoridade monetária, a uma possível deterioração da economia mundial.

As turbulências nas economias desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos e na Zona do Euro, tornaram-se a principal preocupação do Banco Central do Brasil como pode ser observado na Ata da última reunião. A decisão, contudo, não foi unânime (5 votos a favor da redução de 0,5% e dois votos a favor da manutenção) o que demonstra o nível de incerteza que ronda tanto a economia interna (principalmente o cenário prospectivo para a inflação) quanto as questões externas (possível duplo mergulho das economias desenvolvidas).

O cenário doméstico ainda inspira desconfianças principalmente no controle da inflação - o IPCA atingiu em setembro 7,23% no acumulado de 12 meses. No entanto, na visão do BC, o cenário externo em conjunto com o aperto fiscal promovido pelo Ministério da Fazenda, podem promover uma desaceleração dos preços na economia doméstica. Além disso, o corte nos juros, pode reativar a economia que apresentou crescimento módico no segundo trimestre (0,8% na comparação com o primeiro trimestre e 3,6% no primeiro semestre ante mesmo período de 2010).

Os ajustes fiscais e agora o relaxamento da política monetária são indicadores das autoridades econômicas que o Brasil está se fortalecendo diante de um recrudescimento da economia mundial. O ajuste fiscal mais do que uma forma de prevenção frente a crise é uma necessidade que o Estado brasileiro precisa se engajar de maneira definitiva e a redução dos juros seria excelente para a economia voltar a trilhar o caminho do crescimento sustentável; contudo, caso a crise internacional não se intensifique, o maior derrotado pode ser o Banco Central.


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