O tão aguardado Programa de Investimento em Logística
(PIL) pode ser interpretado com uma segunda etapa do PIL1, lançado ainda em
medos de 2012, não só pelo fato do Governo manter os mesmo nome, mas também
porque boa parte das obras que o integram já faziam parte da primeira fase.
Isso ocorreu pois parte dos quase 200 empreendimentos
pretendidos à época não saiu do papel (por falta de interessados ou mesmo por
não haver um marco regulatório ou um ambiente institucional), sendo uma parte
destes reconfigurados com algumas alterações ou mesmo retrazidos em sua forma
idêntica para dentro do novo PIL.
Assim, a nova
etapa do Programa prevê a aplicação de um total de R$ 198,4 bilhões, com o
objetivo de destravar a economia nos próximos anos. Para as rodovias, serão
destinados R$ 66,1 bilhões. As ferrovias receberão R$ 86,4 bilhões. Já os
investimentos nos portos somam R$ 37,4 bilhões e aos aeroportos serão
destinados R$ 8,5 bilhões. Do total de recursos previstos, R$ 69,2 bilhões
serão investidos entre 2015 e 2018. A partir de 2019, o programa prevê
investimentos de R$ 129,2 bilhões.
Um outro aspecto novo que deve ser relevado, se dá
pelas condições de financiamento: em linha com a orientação do governo de
enxugar a atuação do BNDES e incentivar o uso do mercado de capitais para
tentar destravar os investimentos em infraestrutura, o Governo já explicitou
que irá exigir que as vencedoras das concessões emitam debêntures como forma de
captar parte do financiamento via mercado, para que, aí sim, tenha acesso ao
crédito subsidiado do BNDES. Este fato deverá fazer com que se eleve o custo do
financiamento das novas obras de concessões.
De todo jeito o Programa assinala que a iniciativa tem
como meta a retomada do crescimento econômico interno via ampliação dos
investimentos como propulsor da retomada da demanda por bens industriais e
serviços ligados à construção, siderurgia, metalurgia, telecomunicação dentre
tantos outros.
Porém, releva-se que o sucesso do programa só será
possível num ambiente de estabilidade econômica e previsibilidade regulatória
em que se harmonizem a participação pública e privada. Ainda mais, o Governo
deverá zelar que os interessados apresentem projetos financeiro técnicamente
consistentes, uma realidade ainda muito distante dos atuais projetos que, em
sua grande maioria ainda a apresentam problemas básicos de planejamento.
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