quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Festa do apê

Por que os clientes esperam até seis meses para comprar um imóvel que nem sequer tem paredes
Tatiana Vaz


Nenhum empresário tem feito tanto barulho no mercado imobiliário quanto José Paim de Andrade Filho, principal acionista da Max-Cap, uma empresa de projetos na área de construção. Recentemente, ele vendeu num único fim de semana 318 apartamentos. Detalhe: foram mais de mil interessados e as filas de espera pelo atendimento chegaram a seis horas. Nos últimos dias, Paim anunciou um outro lançamento. Em algumas horas, o site da empresa recebeu a inscrição de 250 pessoas que desejam adquirir o imóvel. "Nem precisou anunciar os novos apartamentos. Os clientes nos procuraram antes disso", afirma Andrade. O sucesso atende pelo nome de MaxHaus, como são chamados os apartamentos de 70 metros quadrados sem paredes, vigas ou colunas. Isso mesmo. No negócio inventado por Andrade, é o morador quem desenha a planta. "Nossos clientes nos consideram a Apple do setor imobiliário, porque somos extremamente inovadores e conseguimos entender exatamente o que os consumidores de hoje procuram", diz Andrade.

Desde que o negócio foi lançado, em janeiro de 2008, foram lançados sete edifícios, num total de mais de mil unidades vendidas. O interessante é que os apartamentos da MaxHaus fazem sucesso mesmo não sendo exatamente baratos. Os imóveis custam entre R$ 200 mil e R$ 300 mil e os compradores ainda têm de arcar com os investimentos de criar os ambientes de acordo com a sua preferência. A vantagem é que, para quem busca algo personalizado, não é preciso quebrar uma parede para aumentar um quarto, por exemplo. "Os moradores podem fazer o que quiserem com o espaço que adquiriram. Mais da metade deles compra duas ou três unidades para integrar os apartamentos como preferirem", diz o empresário. As próximas unidades lançadas trarão mais inovações. Cada apartamento poderá ter o toque de campainha que quiser - inclusive músicas de sua preferência. "São esses pequenos diferenciais que acabam atraindo principalmente jovens bem-sucedidos", diz Ana Carolina Barros, da consultoria Lafis.



ISTOÉ DINHEIRO

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