A falta de confianças dos consumidores em 2015 contribuiu para o resultado negativo nas vendas do varejo ampliado (inclui setor de autopeças e veículos e construção civil). No acumulado do ano, o índice ICVA (índice Cielo do Varejo Ampliado) registrou queda real de 1,4% em relação a 2014. O número já era esperado diante da conjuntura econômica recessiva em que o Brasil se encontra.
A queda no rendimento e o aumento do desemprego levaram a uma reestruturação na cesta de consumo das famílias, que tende a se concentrar em itens básicos de primeira necessidade. A falta de perspectiva de melhora na economia fez com que a demanda por crédito apresentasse um crescimento modesto em 2015, cerca de 1% em relação a 2014 – contra um crescimento anual médio de 7,1% obtido no período de 2008 a 2011, segundo a Serasa Experian.
O impacto da crise sobre as condições de emprego foi tão profundo que já é possível observar seus efeitos sobre o processo de mobilidade social que o país vinha apresentando desde 2004. Na contramão do que havíamos assistido até então, houve um retrocesso na pirâmide social em 2015. No acumulado até novembro cerca de 3,7 milhões de brasileiros saíram da classe C e migraram para as classes D e E, que elevaram suas participações de 16,1% para 18,9% e de 15,5% para 16,1%, respectivamente.
Diante das projeções negativas para 2016, o consumidor tende a se manter cauteloso ao longo de todo o ano, adotando uma postura racional. Com isso, alguns segmentos do varejo, como o de bens duráveis e semiduráveis (ex.: móveis e eletrodomésticos) terão dificuldades até mesmo para manter os níveis de venda de 2015, impactando assim num segundo ano consecutivo de crescimento negativo.
Analista Responsável: Robson Poleto
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