Já há
muito tempo se espera o fim do debate acerca do marco regulatório que dará o
ponta pé inicial para a fase operacional das concessões dos modais ferroviário
e de portos, mas, ao que tudo indica, os impeditivos jurídicos, financeiros e
políticos que travam o andamento do marco regulatório não serão equacionados
tão brevemente, para criar as condições técnicas, econômicas e políticas
necessárias para realizar todos os leilões neste ano.
Este
cenário foi agravado quando o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou que o
Governo iria lançar mão de um programa de contenção das contas nacionais. Assim,
ao mesmo momento em que a orientação econômica passou a ser contracionista, foi
consensual a análise de que os gastos públicos com investimentos em
infraestrutura (aqui em destaque os planos de concessão ferraviária e dos
portos) sofreriam um impacto significativamente negativo e as concessões não
deslanchariam neste ano.
Deste
modo, pode-se dizer que:
Transporte
ferroviário (sinal vermelho): até o presente momento nada saiu do papel, o que
torna o ambiente muito incerto, além disso, Levy já sinalizou que será muito
difícil o Governo dispender o volume de recursos necessário para garantir o bom
andamento do modelo de negócio (arquitetado em 2013) em que a Valec seja o
protagonista e garanta seus desembolsos ao longo do período da concessão*.
Navegação
e Portos (sinal amarelo) : os terminais públicos estão atolados, há dois anos,
numa disputa jurídica entre o Governo e os
atuais arrendatários das áreas e, mesmo que este imbróglio se resolva ainda
neste ano (o que não é provável), a primeira rodada sairia apenas no ano que
vem em razão da necessidade de se aprovar, de antemão, os estudos técnicos e
financeiros das obras. A boa notícia fica na questão das renovações de
terminais privados situados no perímetro dos portos públicos e a liberação das
primeiras autorizações de construção de portos privados, ambos com
investimentos previstos já para este ano.
* Pelo modelo a estatal Valec, vinculada ao
Ministério dos Transportes, se compromete a adquirir toda a capacidade de carga
das ferrovias, com o objetivo de dar segurança ao empreendedor contra os riscos
de demanda. Para garantir o Governo havia se comprometido a emitir R$ 15
bilhões em títulos públicos em favor da Valec.
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