segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Perspectivas para as commodities em 2010

Por: Ricardo André Jacomassi
27/11/09 - 18h05
InfoMoney
Após a forte retração da economia mundial em 2009, as perspectivas para 2010 sugerem uma melhora nos principais indicadores econômicos. De acordo com as informações dos mercados, a retomada será impulsionada pela expansão dos principais países emergentes favorecidos pela sua demanda interna e da "blindagem" do seu sistema financeiro, fator primordial para estabilizar os efeitos dos ajustes externos ocasionados pela crise financeira internacional.Como os preços das commodities são formados pelo tripé: demanda, oferta e agentes especulativos; espera-se para 2010 uma demanda mais ativa, uma oferta maior e a volta acentuada da especulação dos hedge funds atuando, principalmente, nas posições compradas. Novamente a demanda mundial será favorecida pelo apetite dos países asiáticos.Para a soja, as projeções apontam para um aumento da oferta mundial com a volta da contribuição da produção Argentina. No mercado doméstico, os ganhos de produtividade favorecerão o aumento da renda dos agricultores. Os estados produtores como Paraná e Mato Grosso deverão manter forte presença, porém, novas regiões do norte e nordeste contribuirão para a expansão do mapa de cultivo da commodity.
Em relação ao café, velhos problemas do setor deverão influenciar na produção, principalmente na questão do endividamento do produtor. Espera-se que os preços siga em lenta recuperação, sendo favorecidos pela retomada do consumo da Europa e da Ásia. Considerado como uma das commodities mais líquidas, principalmente, pela ampla atuação dos hedge funds, o café conquistará novos mercados, dentre eles o segmento de bebidas finas do mercado de luxo.Para o suco de laranja, a expectativa em relação aos preços segue correlacionada à queda do consumo mundial. Mercados como o norte-americano e europeu deverão apresentar retração no consumo, com perda de espaço para outras bebidas. Um alento para o setor será o aumento do consumo em outras regiões, com destaque para a Ásia. Para o produtores da laranja in natura, as dificuldades serão maiores em relação as negociações dos preços, com impactos negativos na renda dos agricultores. A consolidação do setor e o fechamento de plantas industriais ocorridos ao longo de 2009, oferecem poucas opções de venda. Entretanto, para as indústrias as margens de lucros deverão ser mantidas.Já o milho apresentará novos patamares de preços no mercado interno, sendo impulsionado pelo aumento do consumo da agroindústria nacional. No cenário internacional, o maior produtor mundial - EUA - será favorecido pelas exportações para o mercado europeu e asiático devido a desvalorização do Dólar. Neste sentido, mesmo com a uma provável redução da utilização para a produção do etanol, expectativas apontam para o aumento dos preços.Para o açúcar, a relação próxima entre o consumo e a produção mundial apresentada em 2009, devido a quebra da safra indiana, influenciará nos preços em 2010, uma vez que a curva dos preços dos contratos futuros já incorporaram uma demora na recuperação da oferta internacional.Mesmo com uma recuperação dos preços para as principais commodities, o dólar desvalorizado perante as principais moedas mundiais deverá desfavorecer os ganhos dos países exportadores, como Brasil e Argentina. Entretanto, contribuirá para o aumento das vendas dos produtores norte-americanos de milho, soja e trigo, pois os preços serão mais competitivos.Para os exportadores brasileiros, a retomada do crescimento mundial impulsionará o aumento do volume embarcado. Há previsões de que os preços retomem no segundo semestre de 2010 os patamares de 2008. Neste sentido, o único fator desfavorável para o setor será a persistente tendência de valorização do real.
Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria Econômica e escreve mensalmente na InfoMoney.

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