terça-feira, 16 de junho de 2009

Correlações entre moedas e commodities agrícolas

No que tange à realidade econômica dos últimos 12 meses, a relevância das commodities agrícolas e das principais economias em desenvolvimento, os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), para a retomada do crescimento mundial tornou-se preponderante para a maioria dos agentes financeiros. Desta forma, buscou-se neste artigo compreender melhor as relações entre as principais commodities agrícolas e as moedas dos Brics, mais o euro.Antes da análise em si, vale a pena destacar a desvalorização do dólar na comparação entre as principais moedas nos últimos meses. Pois, o enfraquecimento do dólar tende a tornar as commodities mais atraentes para os países consumidores, a mecânica se reflete no ganho de força das outras moedas. Na outra ponta, a desvalorização do dólar estimula a compra de contratos dos principais ativos no mercado futuro.Acompanhando este movimento os investidores internacionais, principalmente os fundos de especulação, buscaram refúgio em ativos de economias com probabilidade de retomada de crescimento de curto prazo e ativos protegidos, como as commodities. Na mesa destes investidores está a preocupação com a perda de força do dólar e com a futura inflação nos EUA. Para conhecimento geral, o dólar nada mais é que uma commodity qualquer: emita acima da demanda que a sua desvalorização será instantânea.
Diante deste cenário de dólar fraco e de um euro combalido devido a recessão na União Européia, as moedas dos Brics ganharam espaço na economia mundial. Além disso, os Brics são ao mesmo tempo produtores e consumidores das mais diferentes commodities.A esperada correlação entre as moedas foi notada em menor intensidade do que a imaginada. O real respondeu positivamente com o euro, rúpia e rublo e ficou neutro junto ao yuan. Nada de anormal, pois, o Brasil, além de fazer parte dos Brics, possui forte peso econômico com a UE. A amostra contempla as cotações diárias dos últimos 12 meses, ou seja, incorporou o movimento de alta e queda da economia mundial.O yuan foi a única moeda em relação às outras que apresentou neutralidade na correlação, respondendo apenas à rúpia indiana. Porém ficou evidente a separação entre os dois grupos de ativos. Enquanto o grupo de moedas possui correlação positiva entre si, o grupo de commodities agrícolas possuia correlação positiva apenas entre os seus ativos.
Quadro de Correlações

As correlações existentes entre as moedas e as commodities agrícolas responderam todas negativamente. Mesmo, as commodities que possuem forte participação na balança comercial, sendo na composição das importações ou das exportações, não responderam positivamente.Significa afirmar que nos últimos 12 meses as commodities e as moedas operaram em sentido inverso. De fato, com a desvalorização do dólar, esta relação se tornou mais intensa.A força que as economias dos Brics desempenharam no período da alta e da baixa favoreceu para que as commodities se tornassem um dos ativos mais procurados para amortecer as perdas no mercado acionário e de títulos subprime.Os Brics, porém, conseguiram suportar na sua pauta de comércio internacional de commodities os choques externos. Enquanto a China com seu yuan efetuou fortes compras de soja e minério, o Brasil com seu real conseguiu uma primazia: fortes superávits comerciais com a venda de soja e minério de ferro.

Por: Ricardo André Jacomassi28/05/09 - 18h10 - InfoMoney

Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria.

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