terça-feira, 21 de março de 2017

Transporte Aéreo: Nova rodada de concessões inaugura novo modelo de gestão sem participação da Infraero


Nesta semana foi finalizado com sucesso mais uma rodada de concessão que envolveu quatro aeroportos: Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis. Como resultado, quatro operadores europeus levaram os terminais. A alemã Fraport conquistou dois deles, Fortaleza e Porto Alegre, já a francesa Vinci Airports ficou com Salvador e a suíça Zurich administrará o terminal de Florianópolis. 

Como contrapartida, as concessionárias deverão dispender cerca de R$ 6,6 bilhões em investimentos em melhorias e expansão dos aeroportos, também irão pagar ao Governo Federal R$ 3,7 bilhões advindos dos valores pagos na disputa de outorga onerosa, valor este que representa um ágio de 90% em relação aos valores mínimos estipulados nos editais e de 25% sobre os R$ 3 bilhões pré estabelecidos como meta pelas autoridades governamentais. Além disso, os concessionários também pagarão anualmente a contribuição variável de 5% das receitas obtidas em cada aeroporto em todo o período da concessão (no prazo de 25 anos em Porto Alegre e 30 anos nos demais aeroportos).

O destaque desta nova rodada de concessões foi o modelo de gestão em que não mais obrigava o consórcio ganhador a ceder a fatia de 49% da participação à Infraero, sendo eliminada por completo a obrigatoriedade da estatal no controle societário dos aeroportos concedidos. Isto deverá impactar diretamente nos processos de decisões de investimentos, uma vez que o grupo não mais precisará do aval da Infraero para aprovar e gerir as obras, além de eliminar um fator financeiro limitante: atualmente a Infraero não detém caixa suficiente para tocar todos os projetos de investimentos exigidos pelos contratos firmados no tempo e velocidade desejada. Neste sentido, desobrigação da participação da Infraero elimina o risco de que obras iniciadas nestes aeroportos sejam paralisadas caso haja um corte no orçamento da estatal.

Analista Responsável: Felipe Souza

segunda-feira, 13 de março de 2017

Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumaria – Pesquisa revela importância atribuida pelos consumidores aos produtos de beleza

 https://www.lafis.com.br/lafisinstitucional/relatorio-analise-setorial/Cosmeticos-e-Higiene-Pessoal.asp


Em pesquisa recente do SPC Brasil em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em todo o Brasil, foi observado que o brasileiro valoriza bastante os cuidados com a beleza e higiene pessoal. De acordo com os resultados, 7 em cada 10 pessoas acreditam que as despesas com artigos de beleza são essenciais e não luxo.

Os dados mostram que, independente do poder aquisitivo, o brasileiro valoriza muito a questão da “beleza” e os impactos que ela pode ter na vida. Para se ter ideia, em média 53% concordam que pessoas bonitas tem maiores chances de obter boas oportunidades na vida. Além disso, 75% acreditam que pessoas bem cuidadas aparentam ser profissionais melhores. De modo geral, os resultados apontaram que boa aparência tem maior impacto no sucesso profissional de uma pessoa (32,1% da população concordam com isso) do que a própria inteligência (28,9%) ou disciplina (23,4%).

Diante desses resultados, a perspectiva para o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) são promissoras, uma vez que mais da metade da população brasileira (57,4%) diz acreditar no poder dos produtos do setor para modificar ou melhorar a aparência das pessoas. Cabe as empresas do segmento alinharem-se com tais expectativas e reavaliar seus modelos de negócios, visando redução de custos – para acompanhar as modificações no perfil de compra causadas pela crise econômica em que o país se encontra – e buscar uma nova dinâmica de mercado focada nas necessidades do consumidor no curto e longo prazo.

Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto

quinta-feira, 2 de março de 2017

Construção – Distratos na construção civil: possível alavanca para o mercado imobiliário em 2017


Hoje em dia em caso de cancelamento da compra de um imóvel, a construtora recebe o imóvel de volta, e deve devolver no mínimo 75% do que foi pago pelo comprador, no caso de a culpa do distrato ser dele (comprador), por não conseguir o financiamento, por exemplo. Quando o cancelamento for por culpa da construtora, no caso de atraso na entrega do imóvel, por exemplo, a devolução do valor deve ser de 100% e com atualização monetária. Pela lei, a construtora pode atrasar a entrega em até 180 dias.

A crise elevou o número de distratos — isto é, quando o consumidor desfaz o contrato de compra e venda na planta e pede a devolução de parte do valor pago — afetando severamente o mercado imobiliário. Em 2016, a cada dez vendas no mercado imobiliário em média quatro foram canceladas pelos compradores, prejudicando o caixa e o planejamento de construtoras.

Representantes das construtoras defendem que, em caso de distrato, haja retenção de um porcentual calculado sobre o valor do imóvel descrito no contrato. Por outro lado, as entidades de defesa dos consumidores querem que o cálculo se dê apenas sobre o valor que já tenha sido efetivamente pago.A crise que afetou em cheio o mercado imobiliário provocou uma onda de renegociações entre empresas e consumidores. Para evitar os tradicionais distratos, as construtoras passaram a negociar ao máximo com o consumidor.

Outro fator de desacordo é o prazo para as empresas devolverem os valores pagos pelos clientes. Empresários dizem que isso só deve ocorrer ao fim da obra, pois a devolução imediata compromete o caixa arrecadado para o empreendimento imobiliário, situação que também prejudicaria os consumidores que não desistiram dos imóveis.

Neste sentido, considerando os desdobramentos da questão dos distratos e a necessidade de medidas que impulsionem a atividade econômica e a geração de empregos, levando em conta que o mercado imobiliário é intensivo em mão de obra, a Lafis considera que o Governo juntamente com órgãos de defesa do consumidor e representantes do setor da construção chegará a um acordo ainda em 2017, fato que, no mínimo, traria maior segurança jurídica ao setor, podendo ainda colaborar para uma maior previsibilidade e segurança financeira por parte das companhias do setor, a depender do que for estipulado ao fim do acordo.

Analista Responsável pelo Setor: Marcel Tau Carneiro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Indústria Cafeeira: Gecex aprova redução de imposto para importação de Café Conillon


O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) confirmou a redução dos impostos para importação de café Conillon, de 10% para 2%, com a medida valendo até maio de 2017.

A principal razão desta medida é aumentar os estoques públicos de café Conillon, que se encontram bem abaixo do esperado para a época. Esta medida é emergencial visando não comprometer a possibilidade de reação do governo à crises de abastecimento. A medida não deverá comprometer o faturamento do setor, ainda mais que o tipo Conillon é o menos representativo na produção geral de café no Brasil, mas deverá ser um fôlego de emergência caso ocorram problemas de abastecimento deste tipo de café.

Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino.

Navegação e Portos: Apesar do mau resultado obtido em 2016, modal busca soluções para o médio e longo prazo


Segundo os dados recentemente divulgados pela Antaq, o setor portuário nacional (portos organizados e terminais de uso privado) movimentou no ano passado um pouco mais de 998 milhões de toneladas. Este resultado representou uma queda em cerca de 1% quando comparado ao quantum movimentado em 2015.

A queda das principais safras, como o milho e a soja, contribuíram para que a movimentação total dos granéis sólidos (principal modalidade do transporte aquaviário) sofresse uma redução de 0,7% em relação ao ano de 2015. Já os granéis líquidos apresentaram uma queda de 3,8% na movimentação dada a retração da demanda interna por combustíveis. Por sua vez, as cargas conteneirizadas praticamente não apresentaram variação. O único destaque positivo se deu pelas cargas soltas que apresentaram crescimento de 7,2% muito em virtude do expressivo aumento das exportações de celulose.

Cabe destaque também a constatação de que a queda nos resultados de movimentação portuária se deu de forma muito mais intensa nos Portos Organizados do que nos Terminais de Uso Privado. Estes primeiros, como detém uma estrutura organizacional muito mais heterogênea, acabam por amargar uma queda de 2,5% em sua movimentação. Já os Terminais de Uso Privado, por serem muito mais especializados (já que grande parte atendem à finalidade de transporte e armazenamento de somente um tipo de produto, como minério de ferro ou soja) e por deterem uma lógica administrativa mais independente e muito menos burocratizada, observaram uma pequena queda de 0,25% do total de carga movimentado.

Não é por menos que, cada vez mais, aumenta-se a representatividade dos Terminais de Uso Privado no modal em detrimento dos terminais pertencentes a estrutura de um Porto Organizado. A tendência para os próximos anos é de que com o pleno vigor da lei dos portos (Lei n o 12.815, de 2013), o número de concessões para Terminais de Uso Privativo cresça de forma significativa contribuindo para o desenvolvimento do modal no Brasil.

Analista Responsável pelo Setor: Felipe Silva.

Combustíveis Distribuição – Setor sofre com a retração econômica


O mau momento vivido pela economia brasileira afetou o mercado de distribuição de combustíveis como revelam os dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Segundo a agência, as vendas dos quatros principais com combustíveis no Brasil (gasolina, etanol hidratado, diesel e Gás Liquefeito de Petróleo - GLP) caíram 2,9% em 2016, onde foram consumidos cerca de 683 milhões de beps (barris equivalentes de petróleo) frente aos 703 milhões de beps consumidos em 2015.

As vendas da gasolina se expandiram 4,6% no período, bem como o consumo do GLP que cresceu 1,1% em 2016. Por outro lado, o consumo de etanol hidratado recuou 18,3%, o do diesel caiu 5,1% em relação a 2015.Este foi o segundo ano consecutivo com resultado negativo no que se refere ao quantum consumido pelo mercado interno, o que demonstra que a situação operacional do setor já vem se deteriorando em um período prolongado.

Por sua vez, o faturamento do setor apresentou crescimento 7,0% no ano passado, muito mais em virtude dos expressivos aumentos dos preços dos combustíveis do que, como já visto, pela expansão das vendas destes. A saber, o preço médio da gasolina nas distribuidoras se elevou em 11%, do óleo diesel inflacionou 6,5% e do etanol hidratado expandiu se em 22,8% em comparação aos preços médios de 2015.

Além do mais, tal resultado do faturamento, que a primeira vista pode parecer ser positivo, não representa uma boa notícia quando se desconta deste a inflação de 2016 (que pelo índice oficial, o IPCA apresentou variação positiva de 6,29%). Assim sob este prisma, o setor praticamente não apresentou evolução de seus resultados financeiros o que é preocupante para as distribuidoras que estão vendo suas margens de venda, ano a ano, apresentarem retração como demonstra o gráfico abaixo:

Evolução na margem operacional das distribuidoras: preço pago pelas distribuidoras/ preço final junto ao consumidor
Fonte: ANP, Elaboração Lafis

Mesmo que tal cenário de queda nas vendas e margens das distribuidoras vista nestes últimos anos provavelmente não volte a ocorrer em 2017 (sobretudo porque é projetado uma redinamização da atividade econômica e uma queda nos níveis inflacionários), o esperado baixo crescimento econômico ainda deixa estreita a “margem de manobra” dos players do setor que deverão criar estratégias para capturar e fidelizar clientes à sua marca, de forma que esta pequena janela de oportunidade que representa o ano de 2017 para a retomada do crescimento mais robusto do faturamento não seja desperdiçada. 

Analista Responsável pelo Setor: Felipe Silva.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Petróleo e Derivados: Governo planeja novo leilão de pré-sal até final de 2017


O governo federal, por meio do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, começa a dar indícios da realização de um novo leilão de campos do pré-sal.  Inicialmente a intenção era realizar o leilão somente em 2018, porém já existem pressões para que o mesmo seja realmente realizado em novembro de 2017. 

As áreas que seriam leiloadas ainda não foram definidas, mas provavelmente em fevereiro deverão ser divulgadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). A intenção do adiantamento do leilão é atrair grandes grupos do setor, como a gigante ExxonMobil. Apesar das informações desencontradas, o governo estaria esperando arrecadar cerca de R$ 4,5 bilhões com os leilões. 

Assim, os leilões sendo adiantados poderiam ampliar a extração de petróleo do Brasil antes do esperado, inclusive atraindo mais empresas para o setor, já que o último leilão do pré-sal atraiu bem menos empresas estrangeiras que o esperado. 

Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino


Mineração Geral: Preço do minério de ferro anima o setor em 2017


O setor de minério de ferro foi um dos que mais sofreram no segmento de extrativa mineral tendo em vista a forte mudança no crescimento chinês, que passou a ser mais ligado ao setor de serviços em detrimento da indústria.  Porém, com a maciça redução na oferta do minério ao longo de 15/16 e com as especulações de um novo plano de reforma da infraestrutura nos EUA, o preço do minério valorizou consideravelmente até janeiro de 2017. 

Hoje o preço, no porto de Qingdao na China, atingiu a marca de US$ 83,65, crescimento de 100% em comparação ao mesmo período em 2016. Com esses níveis de preço e com a expectativa do plano de reforma de infraestrutura nos EUA, que deverá reduzir a participação das empresas do setor de mineração norte-americanas no comércio internacional, o setor deverá voltar a apresentar boas taxas de crescimento na produção e faturamento. 

Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino

Refrigerante e Água Mineral/Sucos: Consumidores mais conscientes elevam a concorrência no mercado de bebidas não alcóolicas e pressionam o setor para criação de bebidas menos açucaradas


O refrigerante está entre as bebidas mais populares do mundo, detém a segunda maior participação no mercado mundial de soft drinks, isto é, bebidas não alcoólicas, com uma participação de 28% (dados de 2016, Euromonitor), apenas atrás da categoria água engarrafada. Todavia, o avanço das categorias mais “saudáveis” ou com valor mais reduzido de açúcar vêm ameaçando gradativamente sua posição dominante.

De acordo com a Euromonitor, o consumo médio per capita de refrigerantes no mundo observou uma queda de 4,4% em 2016, em relação ao consumo médio de 2011. O Brasil vem acompanhando esta tendência mundial de incorporação de hábitos mais saudáveis pela população, e redução no consumo médio de refrigerantes.

Em 2016, a produção total de refrigerantes no País, cerca de 14 bilhões de litros, representou uma queda de 15,3% em relação ao volume produzido em 2011. Não obstante, os impactos da crise no País, que vêm pressionando a renda disponível,  haja vista, a elevação do desemprego, a redução da massa salarial, e a busca por alternativas mais econômicas por parte da população, o setor de refrigerantes agrega a essas dificuldades a tradicional associação da bebida à imagem de um alimento que impõe riscos à saúde.

Em outubro de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) das Nações Unidas lançou um comunicado global sugerindo aos países a criação de impostos sobre bebidas açucaradas, tendo em vista seus malefícios causados à população. A medida deveria desincentivar o consumo e a arrecadação convertida para investimentos de políticas para a promoção da saúde.

Em dezembro, sob influência desse movimento global, o senador Jorge Viana lançou uma proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Brasil para tributar a venda e a importação de todos os refrigerantes e bebidas açucaradas no país, estabelecendo que a arrecadação teria como finalidade financiar as despesas com serviços públicos de saúde no País. A proposta segue em tramitação no Senado.

Por fim, para endossar estes eventos podemos observar que a modernidade, dada a difusão do acesso às informações e ao conhecimento, por meio da internet e redes sociais, fortalecem a conscientização por parte dos consumidores sobre o valor nutricional dos produtos consumidos. Assim, cabe ao setor de bebidas enfrentar a concorrência neste mercado, e elaborar estratégias acertadas de inovações e diversificação de portfólio, para oferecer produtos com baixo teor de açúcar ou com adoçantes naturais para enfrentar este novo ambiente setorial.

Analista Responsável pelo Setor: Laís Soares

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Transporte Aéreo: Após 10 anos, cai o número de passageiros transportados por empresas aéreas nacionais


Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de passageiros transportados pelas companhais aéreas nacionais apresentou retração de 4,3% em 2016. Ao todo, foram transportados 122 milhões de passageiros, ou seja, 5,5 milhões de clientes a menos do que os 127,5 milhões de usuários registrados em 2015. Essa é a primeira vez em dez anos que o país tem queda no número de passageiros transportados. Já a oferta de assentos pelas companhias também apresentou queda de 5,3% em relação a 2015.  

Quando divididos os resultados registrados em “mercado doméstico” e “mercado internacional”, este primeiro apresentou uma queda de 5,7% com o transporte de cerca de 89 milhões de passageiros, por sua vez, a oferta de assentos também diminuiu em 5,9%. Já no mercado internacional, as companhias aéreas transportaram 33,1 milhões de passageiros, uma ligeira queda de 0,3%, enquanto a oferta de assentos se reduziu em 3,1%. 

A forte queda da atividade econômica prejudicou significativamente a demanda do setor uma vez que a retração das atividades industriais e empresariais impactou negativamente no número de passageiros a negócios, ao mesmo tempo que a elevação do desemprego, a queda do rendimento médio e a retração do crédito disponível afetou desfavoravelmente o número de viajantes a passeio. No entanto, a confluência dos resultados de demanda de passageiros e oferta de assentos nos revela um dado positivo para as empresas nacionais: houve um crescimento do número de passageiros por voo (a chamada taxa de aproveitamento das aeronaves) passando de 80,2% em 2015 para 81% em 2016, ou seja, variação positiva de 0,8 p.p. Isto é um bom sinal para as companhias, uma vez que, com menor taxa de ociosidade, a margem operacional destas se eleva impactando positivamente na taxa média de lucro do setor.

Analista Responsável pelo Setor: Felipe Souza.